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Professor Edvaldo Jr. escreve sobre atual sistema de saúde do país

Escrito por Edvaldo Jr. em 26 de Fevereiro de 2022
[Professor Edvaldo Jr. escreve sobre atual sistema de saúde do país]

UTI: O SISTEMA EM ASFIXIA

Ao caminharmos por meio dos brancos corredores hospitalares, presenciamos o que podemos   descrever como superlotação e destinamos estes fatos e imagens apenas ao âmbito SUS, de maneira fatídica. O atual sistema de saúde do país vive um grande colapso em sua gestão, corroborado pela grande indústria privada da saúde, que como uma bactéria promove  gangrena, para lançar e ofertar seu antibiótico, através das Parcerias Público Privado - PPP.

As PPPs surgiram à medida que se construía o discurso sobre a ineficiência do Estado em gerir os recursos públicos, o que popularmente ficou conhecido como: fazer mais com menos. Mas, o que estava por trás dessa boa intenção de aprimoramento do sistema de saúde, foi na verdade o interesse do setor privado em abocanhar uma parcela dos recursos públicos destinados a essa área da administração pública. Logo percebemos que a tal eficiência, a promessa de melhoria do sistema de saúde a partir da introdução do setor privado não aconteceu como prometido, o que fez com que o sistema de saúde continuasse na UTI.

A pandemia do coronavírus trouxe ao centro das discussões o debate sobre a importância e o papel que o SUS tem no processo de promoção e  garantia do direito à saúde, o que levou a sociedade a repensar como a diminuição ou até extinção do sistema único de saúde poderia deixar milhões de brasileiros sem nenhum tipo de proteção.

Contudo, se percebe que existe no sistema de saúde do Brasil uma urgência quase que juvenil, o que ajuda a produzir a falsa ideia de melhoria do sistema, uma vez que não se tem ações integradas e de longa duração capazes de deixar o sistema mais robusto e eficiente. A opção pela cura, faz o sistema ficar mais caro, injusto e ineficiente. A prevenção produz efeito inverso.

 Neste momento o caminho para mudar este panorama nos municípios passa por investir primeiro nas pessoas, nas famílias. Através da sensibilização e educação, vislumbrando a adoção de uma nova postura. Investir em um ousado e inovador plano de saneamento básico para possibilitar a redução de doenças e agravos relacionados ao saneamento.

Medidas como as acima citadas, tem o poder de em um espaço de tempo produzir efeitos significativos no que chamamos de índices epidemiológicos, possibilitando o avanço no que tange a educação para saúde, diminuindo as filas, corredores abarrotados, intervenções de alta complexidade, reduzindo o custo e possibilitando a administração pública investir em outros setores.

É necessário olhar com mais cuidado para os colaboradores que tocam esse sistema com seus jalecos brancos muitas vezes em condições de precariedade. Internalizar que esses profissionais são peças fundamentais no processo de fazer a saúde, pois princípios e diretrizes do Sistema Único de saúde, não são apenas para se manifestar juridicamente na forma da lei apenas quando se está atrás de uma cadeira na universidade.

É preciso construir um caminho de humanização, por meio de ações que fortaleçam e tornem rotineiras a universalidade, integralidade na assistência, Igualdade de assistência, direito à informação, a participação das comunidades e responsabilidade com os recursos públicos. Dessa forma o sistema de saúde poderá ser cada vez mais aprimorado, produzindo frutos para a sociedade.


Edvaldo Jr. é Professor Historiador pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), pós-graduando em Direito Público Municipal pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL).A luta dos negros por cidadania.

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