Economia

Valor da cesta básica sobe nas capitais; veja o que teve alta

Escrito por CN com Assessoria de Comunicação em 10 de Janeiro de 2019
[Valor da cesta básica sobe nas capitais; veja o que teve alta]

Em 2018, o valor da cesta básica aumentou nas 18 capitais do país onde o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) realizou, ao longo de todo o ano, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. As altas acumuladas no ano variaram entre 2,53% em Recife e 15,46%, em Campo Grande.

Em dezembro de 2018, o valor da cesta aumentou em 15 capitais. As altas mais expressivas foram registradas em Goiânia (5,65%) e Salvador (4,13%). As reduções verificadas no mês foram de 0,40% em São Luís, 1,17% em Vitória e 3,48% em Fortaleza. O maior custo do conjunto de bens alimentícios básicos foi apurado em São Paulo (R$ 471,44), seguido por Rio de Janeiro (R$ 466,75), (R$ 418,71) e Porto Alegre (R$ 464,72). Os menores valores médios foram observados em Recife (R$ 340,57), Natal (R$ 341,40) e Salvador (R$ 343,82).

Com base na cesta mais cara, que, em dezembro, foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e de sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima que o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 3.960,57 em dezembro, ou 4,15 vezes o salário mínimo de R$ 954,00. Em novembro, o salário necessário correspondeu a R$ 3.959,98, ou 4,15 vezes o salário mínimo vigente. Em dezembro de 2017, o salário mínimo necessário havia sido de R$ 3.585,05, ou 3,83 vezes o mínimo em vigor, que equivalia a R$ 937,00.

CUSTO DA CESTA BÁSICA EM SALVADOR REGISTRA ALTA EM 2018

Em 2018, a cesta básica de Salvador ficou 8,58% mais cara, graças a seis produtos que acumularam alta de preço no ano. As maiores variações foram registradas nos preços médios do tomate (64,18%) e do leite (19,71%). Os outros produtos que acumularam alta no ano foram manteiga (8,27%), carne bovina (7,31%), arroz (1,00%) e óleo de soja (0,28%). As quedas dos preços médios foram registradas na farinha de mandioca (-21,56%), no feijão (-7,64%), no açúcar (-6,82%), no café (-6,30%), na banana (-1,45%) e no pão (-0,66%). No ano de 2017, a cesta havia apresentado redução de 10,84% na capital baiana.

Somente no mês de dezembro de 2018, a cesta básica na capital baiana registrou aumento de 4,13%, em relação a novembro e passou a custar R$ 343,82. Com esta alta, Salvador perdeu o posto de capital com menor valor de cesta básica onde o DIEESE realiza a pesquisa, que vinha ocupando desde agosto de 2017. No mês, a capital foi a terceira mais barata, atrás de Recife e Natal.

Em dezembro, as altas foram registradas no preço médio de 7 dos 12 produtos pesquisados, com destaque para o tomate (14,58%) e a banana (11,69%). As demais altas dos preços médios foram da carne bovina (4,74%), do feijão (3,90%), da manteiga (3,16%), do açúcar (2,50%) e do óleo de soja (2,26%). Já a farinha de mandioca (-4,44%), o leite integral (-3,33%), o pão (-0,88%), o arroz (-0,36%) e o café (-0,18%) tiveram recuo de preço médio no mês.

O trabalhador soteropolitano remunerado pelo salário mínimo comprometeu 79 horas e 17 minutos de sua jornada mensal para adquirir os gêneros essenciais em dezembro. Em novembro, a jornada foi de 76 horas e 08 minutos. Em dezembro de 2017, o tempo comprometido também era menor, de 74 horas e 21 minutos.

Quando se compara o custo da cesta de Salvador e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social, a relação era de 39,17% em dezembro, 37,62% em novembro e 36,73% %, em dezembro de 2017.

CESTA BÁSICA X SALÁRIO MÍNIMO

Em dezembro de 2018, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 92 horas e 17 minutos nas 18 capitais pesquisadas pelo DIEESE. Em novembro, a jornada necessária havia sido calculada em 91 horas e 13 minutos. Em dezembro de 2017, quando a pesquisa era feita em 21 capitais do país, a média foi de 86 horas e 04 minutos.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em dezembro, 45,59% do rendimento para adquirir os mesmos produtos que, em novembro, demandavam 45,07%. Em dezembro de 2017, a média entre as 21 capitais foi de 42,52%.

COMPORTAMENTO DOS PREÇOS DOS PRODUTOS DA CESTA BÁSICA EM 2018[1]

No acumulado do ano de 2018, os preços médios do leite integral, tomate, pão francês, carne bovina de primeira, arroz agulhinha e batata, pesquisada na região Centro-Sul, apresentaram aumento na maior parte das cidades pesquisadas, na comparação com dezembro de 2017. Já o café em pó e o açúcar mostraram taxas negativas na maioria das capitais.

O leite integral, em 2018, mostrou valorização do preço, devido à menor oferta e à disputa de matéria-prima por parte das indústrias de laticínios. As 18 cidades pesquisadas mostraram alta acumulada, que variou entre 0,38%, em Porto Alegre e 28,38%, em Goiânia.

Todas as cidades acumularam alta de preço do tomate, sendo que as maiores taxas foram observadas em Florianópolis (117,38%), Rio de Janeiro (113,28%), Belo Horizonte (110,34%), Brasília (103,80%) e Curitiba (102,87%). Apesar da oscilação ao longo do ano, o preço médio do tomate foi maior em 2018. A oferta esteve reduzida, devido à diminuição da área plantada e ao clima seco, que propiciou o aparecimento de pragas.

O quilo do pão francês ficou mais caro em 17 capitais, entre dezembro de 2017 e 2018. Apenas Salvador mostrou queda (-0,66%) e as altas oscilaram entre 4,60%, em São Luís e 16,15%, em Natal. As altas das cotações da farinha de trigo, devido à importação do grão e à desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar, aliados à redução da qualidade do trigo brasileiro pelo clima, explicaram a elevação do preço do pão.

Em 2018, o valor do quilo da carne bovina de primeira aumentou em 15 capitais, com taxas que oscilaram entre 1,71%, em São Paulo, e 9,54%, em Campo Grande. As diminuições foram verificadas em Florianópolis (-1,79%), Belém (-1,51%) e São Luís (-0,53%). As exportações cresceram muito, principalmente no segundo semestre; e, apesar da demanda interna fraca, o ano fechou com elevação de preços no varejo.

O quilo do arroz apresentou alta em 15 capitais, sendo as maiores taxas observadas em Belém (21,02%), Campo Grande (15,60%), Brasília (14,72%) e Natal (13,13%). Em Porto Alegre, o preço médio não variou e houve redução em Recife (-1,54%) e no Rio de Janeiro (-1,05%). A safra de arroz foi menor em 2018 e o volume exportado, maior. Apesar da diminuição do consumo interno, ao longo do ano, a comercialização do grão foi lenta e dificultada pelo tabelamento dos fretes e pela postura dos orizicultores em esperar a valorização do arroz.

Em 2018, o preço médio do quilo da batata, pesquisada no Centro-Sul, aumentou em nove localidades, com taxas entre 2,09%, em Curitiba, e 22,08%, em Belo Horizonte. Em Vitória, foi registrada diminuição (-6,12%). A redução da área plantada e o clima seco elevaram o preço do tubérculo entre dezembro de 2017 e 2018.

O café em pó acumulou queda em 17 cidades, com variações entre -16,08%, no Rio de Janeiro, e -0,42%%, em Florianópolis. A alta ocorreu em Aracaju (2,33%). A produção de 2018 bateu recorde de oferta e os preços se mantiveram baixos ao longo do ano.

O preço do açúcar diminuiu em 16 cidades em 2018, com variações entre -26,05% (Brasília) e -0,90% (Natal). As altas foram anotadas em Goiânia (24,67%) e São Luís (1,91%). Apesar da redução da produção de açúcar e do uso de boa parte da cana para elaboração do etanol, os preços domésticos se mantiveram baixos ao longo do ano.

De novembro para dezembro de 2018, o destaque foi a variação do preço médio da batata, que aumentou em todas as cidades, devido, principalmente, ao clima seco. O valor do óleo de soja aumentou em 16 capitais, porque parte do óleo bruto foi usada para a fabricação do biodiesel. Também a carne bovina de primeira, que está em período de entressafra e bateu recorde de exportação, teve seu preço elevado em 15 cidades. Por sua vez, o leite integral teve seu preço reduzido em 17 cidades, pela oferta crescente de leite nos campos. 

[1] Fontes de consulta: Cepea - Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - ESALQ/USP, Unifeijão, Conab - Companhia Nacional de Abastecimento, Embrapa, Agrolink, Globo Rural, artigos diversos em jornais e revistas.

Compartilhe!